sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Cervejaria Guarany / Serrana



A Cervejaria Guarany, de Campo Alegre em Santa Catarina desempenhou um papel importante na história das cervejarias da região. Fundada por volta de 1923, por Adolph Friedrich, a cervejaria inicialmente não passava de uma instalação caseira. Mais tarde, já na década de 1930, construiu-se um prédio mais adequado para uma produção comercial, prédio este que ainda existe. Trata-se da última edificação usada nas antigas cervejarias que ainda não foi demolido. Naquele local existe uma fonte de água muito boa que brota numa fenda de rocha, que se mostrou excelente para fabricação de cerveja.



A Cervejaria Guarany produzia inicialmente só a cerveja preta "Kulmbach" ou "Porter".



Com o falecimento do velho Adolph Friedrich, ocorrido em 1947, o negócio passou a ser conduzido por seu filho Ervino, que se associou a diferentes pessoas em diferentes épocas.

Inicialmente quem se associou a Ervino Friedrich na cervejaria foi Carlos Brandes. Esse cidadão era gerente da fábrica de amido de milho Lorenz & Cia., de Timbó, empresa que montou uma filial em Campo Alegre junto a cascata do rio Turvo, onde construíram uma pequena hidrelétrica para fornecer energia ao empreendimento, ele mais tarde, em 1936, foi também prefeito da cidade. Mais tarde admitiram na sociedade da cervejaria Arnaldo Duvoisin e Ernesto Friedrich, este último irmão de Ervino.

Nesse tempo toda a produção de cervejas e refrigerantes eram feitas por Ervino Friedrich e um único funcionário, seu futuro genro Eugen Bartsch. Isso incluía lavar garrafas, produzir cerveja e refrigerantes, engarrafar, rotular as garrafas, carregar caminhões e as vezes fazer entregas nos bares e restaurantes da região. Muitos bares e vendas e quase nenhum restaurante. Era um serviço colossal para apenas duas pessoas, não raro entravam madrugadas adentro nas lidas da cervejaria.

Ernesto Friedrich, que era proprietário de um grande moinho de cereais tocado por roda d'água nas margens do rio Turvo, no centro de Campo Alegre, se retira da sociedade após curto período vendendo seus interesses na firma para Atanagildo Schmidt, que atua na comercialização de erva-mate.

Passado algum tempo, Carlos Brandes também se afasta e acaba por vender sua participação na Cervejaria Guarany para Otto Zschoerper, de São Bento. Isso ocorre no início da década de 1950.

Um pouco mais tarde, por volta de 1955, muda-se a razão social para Cervejaria Serrana Ltda., adotando o nome de outra antiga cervejaria de Campo Alegre, que já havia fechado há muito. Modernizam um pouco a produção e passam a produzir três tipos de cervejas: " "Serrana-Pilsen", "Soberana-Kulmbach" e "Malzbier", além de gasosas de gengibre e guaraná "espumante".



Com o passar do tempo, as relações entre os sócios Friedrich e Zschoerper passam por sobressaltos e a empresa entra gradativamente em dificuldades.

No início da década de 1960, a cervejaria descontinua sua produção própria, que nos últimos tempos era ainda só da cerveja preta Soberana-Kulmbach, passando então a distribuir produtos Brahma. Ainda produziam gasosa e engarrafavam aguardente de cana.

Com a situação financeira da empresa piorando rapidamente, Zschoerper contrata Lauro Lepeck em São Bento, que passa a ser seu homem de confiança na firma afiliada, em Campo Alegre. Atanagildo Schmidt e Arnaldo Duvoisin vendem suas cotas aos Zschoerper mas Ervino Friedrich não queria essa solução para sí e se recusava a vender para este. A solução que se encontrou foi introduzir um agente estranho no negócio para o qual Friedrich concordou em vender sua parte; Alfredo Müller, morador em São Bento do Sul. Parece que foi financiado por Otto Zschoerper para que pudesse concretizar a transação. Seria o que atualmente se denomina como "laranja".

Surge por essa época em Campo Alegre um outro personagem que se introduz na sociedade comercial alardeando que possuía recursos para sanar financeiramente a empresa. Seu nome era Sait-Claire Abel Fontoura Leite. Se dizia major reformado do exército. A intervenção desse cidadão foi um desastre completo pois tomou algumas péssimas atitudes administrativas endividando a empresa ainda mais, empurrando-a definitivamente para a insolvência.

A firma agora com o nome mudado para "Bebidas Campo Alegre Ltda." estava a ponto de ser leiloada em 1968, quando Zschoerper fez uma proposta a Lauro Lepeck: este assumiria as dívidas e se conseguisse levantá-las, coisa que parecia difícil, ficaria com o negócio, o prédio e a casa anexa. Este aceitou o desafio e acabou por se dar bem. Conseguiu sanar as dívidas e continuou a distribuir os produtos da Brahma em Campo Alegre por vinte e cinco anos ainda, até 1993, quando se transformou num atacado de bebidas, que distribuía produtos de vários fabricantes como Brahma, Skol, Antárctica, Schincariol, etc. negócio que encerrou finalmente em 1998. Dessa forma a empresa sucessora das antigas Cervejarias Guarany e Serrana, de Campo Alegre, foi a última a encerrar suas atividades na região.

5 comentários:

Norma Figueredo disse...

Penso haver um equivoco,vocês dizem:
Ewaldo Friedrich. Eu me criei em Campo Alegre,
ele era casado com minha tia Zina,eu o conheço ,por Ervino Friedrich...

Diversos disse...

Houve sim um grande erro na matéria ao citar o nome de Ewaldo . O certo realmente é Ervino Friedrich , meu avô. Passava minhas férias todas na cervejaria e tenho muitas lembranças do lugar !

Diversos disse...
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henry H disse...

Realmente o nome do sucessor era Ervino Friedrich. Eu me equivoquei baseado numa informação verbal de um antigo morador de Campo Alegre, qdo estava colhendo dados sobre essa cervejaria, nos idos anos de 2001 ou 2002. Talvez tenha anotado errado na minha carderneta de dados históricos... Obrigado pela correção.