quinta-feira, 14 de julho de 2011

Henrique Stupakoff & Cia /Fábrica de Cerveja Bavária



Baseado nos textos:A Cidade de São Paulo em 1900 - Alfredo Moreira pinto
A Indústria no Estado de São Paulo em 1901 - Antonio Bandeira Júnior
Imagens: Marcas da virada do século XX no acervo da JUCESP: primeiras impressões - Frederico Saade Floeter e Priscila Lena Farias

Uma das mais antigas fabricações de cerveja que se tem notícia em São Paulo é a Cerveja Bávara fabricada por Henrique stupakoff (Heinrich Ferdinand Alexander Simon Stupakoff), descendente de russos, porém nascido em Hamburgo, Alemanha, no dia 24 de setembro de 1856.

Sua cerveja já era servida em 1877, quando da inauguração da cervejaria “Stadt de Berna” na Rua de São Bento 73 - São Paulo - SP, de propriedade de Vitor Nothman.

Por volta de 1890, partiu o senhor Stupakoff para a Alemanha onde se dedicou nas principais fábricas ao estudo da fabricação da cerveja, comprou os melhores e mais modernos aparelhos e de onde trouxe o necessário e habilitado pessoal.

Em 20 de outubro de 1892, das 14 às 15 horas da tarde, foram inauguradas as novas instalações da Fábrica de Cerveja Bavária de Henrique Stupakoff & Cia, nas terras de uma chácara do engenheiro Daniel Fox quando o arruamento ainda começava a ser definido. O prédio construído na Rua da Mooca 282, (depois Alameda Bavária, atual Avenida Presidente Wilson) no bairro da Mooca, subúrbio do Braz, à margem da Estrada de Ferro Ingleza.

Nesse bairro, a maior concentração de edificações industriais, localiza-se ao longo da faixa ferroviária. Ao ocupar esses terrenos, as indústrias e armazéns voltaram os fundos para a via férrea – recurso que permitia o recebimento e escoamento de produtos – e o acesso principal para ruas paralelas.

Às duas horas da tarde partiram da cidade bondes especiais levando numerosos convidados, entre os quais o Sr. Dr. Bernardino de Campos, presidente do Estado (atualmente seria governador), os Srs. Drs. Alfredo Maia e Siqueira Campos, secretários da Agricultura e da Justiça, alguns deputados e senadores, representantes da imprensa, comerciantes, industriais, etc. A inauguração foi iniciada com o hino Nacional sendo tocado por uma banda alemã, após foi feita uma visitação a toda a fábrica, compartimento por compartimento até as vastas adegas onde descança muita cerveja fabricada há 3 meses, encerrando com todos no térreo, onde foi servida em chopes, copos e cangirões de vidro, a Cerveja Bávara ao som da música alemã executada pela banda.

Em sessão de 7 de novembro de 1892 da Junta Comercial de São Paulo foram registradas e arquivadas, sob os ns. 23 e 24 do livro registro, as marcas: Export-Bier e Lager-Bier respectivamente.

Em 1893 os produtos da fábrica foram premiados na Exposição Columbiana de Chicago.

Em 15 de março de 1895 o Diário Oficial de São Paulo (DOSP) publica o contrato que entre si fazem: Henrique Stupakoff, Martinho Buchard, Mathaus Haussler, Herman Burchard, Dr. Manoel de Moraes barros, Augusto Tolle, Carlos Schorcht Júnior e Gustavo Yeep, sendo o primeiro solidário e os demais comanditários, para o comércio e fabricação da cerveja denominada "Bavária", nesta praça, com o capital de 500:000$000 (quinhentos contos de réis), sendo o fundo comanditário de 425:000$000, sob a firma de Henrique Stupakoff & Cia. em continuação à de igual nome.

Em 28 de outubro de 1898 são registradas as marcas das cervejas: Bavária Pilsen, Bavária München e Bavária Culmbach, sob os nº. 141, 143 e 145 do livro nº1 do registro de marcas na Junta Comercial de São Paulo.

Em 17 de outubro de 1899 são registradas as contramarcas: Gallo, Pato, Cavallo, Urso, Touro, Gato e Martello na Junta Comercial de São Paulo, sob os nº. de 195 a 201.

Nesse mesmo ano de 1899 a produção atingiu 40.000 hectolitros.

Em 1900, possui uma capacidade de produção de 13.000 litros diários, a fábrica ocupa uma extensão de 25.000 metros quadrados e o prédio principal de cinco pavimentos é dividido em tantas seções quantas são as fases da fabricação, o capital nela empregado foi de 4 mil contos de réis, sendo metade alemão e metade brasileiro. Todos os maquinismos são os mais modernos e foram construídos na Alemanha e Suíça, de onde também são importadas as matérias primas: cevada, lúpulo e fermentos.

O vapor do qual se utiliza para a movimentação das máquinas motrizes é produzido por três caldeiras, já estando uma quarta montada, mas ainda sem operar, cada uma tem um peso de cerca de 20 toneladas, uma superfície de aquecimento de 85 metros quadrados e uma força de 200 cavalos. Havendo três máquinas produtoras de gelo, do sistema Linde, tendo uma força de 80, 150 e 300 cavalos de força. Cada uma com 2 compressores que servem para resfriar 3 câmaras de refrigeração de 520 metros quadrados, uma ante-câmara e 12 câmaras adegas com 2025 metros quadrados que contém 48 tonéis, construídos na Europa, indo sua capacidade de 30 a 50 hectolitros. A grande adega, onde é feita a fermentação, contem 79 tinas de 3.000 litros de capacidade.

A água, base de toda fabricação, deve ser de pureza absoluta e por isso foram cavados dois poços de uma profundidade de 100 metros que produzem 32 metros cúbicos de água por hora, essa obra teve um custo de 150:000$. A água dos poços não só serve para a fabricação da cerveja como para a fabricação do gelo que está sendo fabricado em grande quantidade e está sendo vendido na cidade, em Santos e no Interior.

A fábrica conta com 120 animais de tração e 26 caroças e carretões para as entregas.

Em 14 de junho de 1901 a Bavária já conta com 200 funcionários, nesta mesma data é registrada a Cerveja União.

Em 6 de outubro deste mesmo ano é publicado no Diário Oficial da União o registro da Cerveja Alliança na Junta Comercial de São Paulo sob n. 294.
  


Em 20 de maio de 1902 é publicado no Diário Oficial da União o registro das cervejas: União e Tivoli na Junta Comercial de São Paulo, sob os nº. 360 e 361, respectivamente.

Em 1904, a Companhia Antarctica Paulista (fundada em 1891, no bairro da Água Branca), sob controle da Zerrener, Bülow & Cia, através da assembléia de 20 de julho, com ata publicada em 30 de julho no Diário Oficial do Estado de São Paulo, assume o compromisso de compra da Cervejaria Bavária de Henrique Stupakoff & Cia. pela quantia total de 3.700:000$ sendo 1.200:000$ em ações e o resto em dinheiro.

Após a Primeira Guerra Mundial, Henrique Stupakoff retornou para Hamburgo onde faleceu em 11 de abril de 1920.

6 comentários:

Anônimo disse...

Como bisneto de Heinrich (Henrique) Stupakoff, adorei o resgate da história.

Henri Stupakoff Kistler

Anônimo disse...

Tenho uma garrafa antiga de caerveja de Henrique Supakoff.

CERVISIAFILIA disse...

E o que você quer fazer com ela ????

Anônimo disse...

Tenho uma garrafa antiga de cerveja da Bavária, fabricada por Henrique Stupakoff em fins do século XIX, gostaria de saber o valor da mesma. museudomar@museudomar.com.br . Luiz

Anônimo disse...

Gostaria de saber o preço de mercado para a antiguidade

Anônimo disse...

Caro Henri,
Você sabe se os prédio da Bavária são os mesmos da Antarctica?