sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Cervejaria Amazonense de Miranda Correa & Cia



Baseado nos textos do site e blogs a seguir:
www.novomilenio.inf.br
Blog do Rocha Cervejaria Amazonense de Miranda Correa;
Blog do Coronel Roberto Cervejaria Amazonense - Inauguração

Imagens dos rótulos cedidas pelo colecionador Paulo Antunes Júnior

Em 1903 foi fundada a “casa de schopps” e a fábrica de "Gelo Crystal", pela família de Maximino Corrêa, oriunda do vizinho estado do Pará.
São sócios desta importante firma o sr. Miranda Corrêa e seus irmãos, três dos quais residem no Rio de Janeiro e dois outros no Pará. O chefe da firma é o dr. Antonino Carlos de Miranda Corrêa, nascido no Pará em 1872 e educado no Rio de Janeiro, onde se formou em Engenharia. Em seguida, cursou a Escola Militar, entrando como tenente para o Exército Brasileiro; pouco depois demitiu-se, vindo para Manaus, em 1896.

Estabelecida a Fábrica de Gelo, que em breve se tornou uma empresa rendosa. O gelo, que fora o produto básico vendido pelos irmãos Corrêa, a partir de 1905 deu partida ao elevado desempenho da firma Miranda Corrêa.
A Cervejaria Miranda Correa foi idealizada por Antonino, que em 1909, foi à Europa onde visitou as principais cervejarias e trouxe da Alemanha todo o maquinário e também dois técnicos especializados voltando a Manaus deu início ao projeto da grande empresa.

Instalada em Manaus em 6 de setembro de 1909 teve autorizada sua montagem por lei número 595. Em 20 de fevereiro de 1910, às nove horas da manhã, foi lançada a pedra fundamental da Fábrica Amazonense de Cerveja e Gelo de Miranda Corrêa e Cia, à margem esquerda do igarapé da Cachoeira Grande, em Manaus, Amazonas, sendo seu fundador Antonino Carlos de Miranda Corrêa.

Por se inserir em um período muito conturbado da história mundial e regional, a região sofre, neste momento, os primeiros indícios de uma eminente e possível crise na produção gomífera e a diminuição dos recursos que transformaram uma pequena vila em uma das cidades mais bonitas e modernas de sua época. Nesse contexto, surge a implantação da Cervejaria Amazonense Miranda Corrêa.

Em 12 de outubro de 1912,foi inaugurada a primeira cervejaria em Manaus, a Cervejaria Amazonense pela família Miranda Corrêa composta pelos irmãos Luís Maximino e Antonino Carlos (engenheiros), Altino Flávio (almirante) e Deocleto Clarivaldo (médico). Quando inaugurada, a fábrica serviu para a produção da cerveja XPTO e produtos afins, além de continuar com a fabricação de gelo cristal.

A cervejaria, com todo o seu aparato técnico de última geração impressionava até os mais pessimistas dos pessimistas. A maioria das pessoas não acreditava ser possível um empreendimento daquela magnitude.


No período de 1910 a 1920, o mundo passava por grandes transformações. A cidade de Manaus vivia o período que ficou conhecido por “Belle Epoque”, a sua década de ouro, com esplendor das mais importantes personalidades artísticas vindas para se apresentarem no teatro Amazonas. É claro que tal dinamismo e mecenato tinha que ter o dedo do Dr. Luiz Maximino de Miranda Corrêa, de personalidade marcante, era um homem que estava muitos anos à frente de seu tempo. Por uma questão muito peculiar, ele era um verdadeiro estrategista e profundo observador dos destinos desta terra.

Em 1914, Maximino de Miranda Correa, proprietário da Cervejaria Miranda Corrêa, fabricante da cerveja XPTO, e da Casa de “Schopps” (ortografia da época) localizada na Eduardo Ribeiro do cinema, compra o prédio do cinema Odeon, ao lado, e o fecha para reformas. Sua reabertura ocorre a 3 de maio, agora com programação da Agência Geral Cinematográfica. Em dezembro de 1914, o Odeon é arrendado para a empresa Fontenelle.

Os deslevos com a produção, levou a família a "importar" um edifício projetado na França, no estilo de um castelo bávaro para servir de fábrica, o qual ainda existe no bairro de Aparecida, localizado à margem do igarapé de São Raimundo. O local era bastante privilegiado, além da água em abundância, permitia uma visão panorâmica da cidade de Manaus.

Um edifício notável com seis andares e uma torre artística, a altura do edifício, desde o solo até o alto da torre, é de 160 pés. No interior, a torre é servida por um elevador elétrico (o primeiro instalado em manaus) de duas toneladas de capacidade e por um escada de caracol com 200 degraus. O edifício fica situado na margem do rio, no ponto terminal da linha de tramways elétricos do Plano Inclinado. No pavimento térreo fica situada a seção de despachos, em como os depósitos e salas de lavagem de garrafas e empacotamento. O primeiro e segundo andares são reservados ao tratamento final da cerveja, que a eles desce por um sistema não excedido em nenhum outro estabelecimento similar da América do Sul.

A cervejaria tem uma capacidade de produção de cinco milhões de litros. Os tubos serpentinas para o resfriamento são trazidos por quatro câmaras frigoríficas, cujas paredes são interiormente acolchoadas com cortiça e revestidas de acabamento em jaspe. O terceiro andar é o depósito para a fermentação, e aí ficam as retortas de fermentação, que distribuem o produto os andares inferiores por meio da força de gravidade. Esta seção está dividida em dois compartimentos - inferior e superior - de fino acabamento e decoração artística.

No quarto andar ficam o laboratório químico e escritório técnico. O quinto andar é reservado para armazenagem e tratamento da cevada, que a ele chega depois de ter passado pelo limpador no andar superior; aí fica também situada uma grande retorta para o lúpulo e o fermento. No sexto andar, fica o depósito de cevada, e aí está também instalado o engenhoso dispositivo para limpar a cevada e livrá-la das matérias estranhas que se lhe tenham juntado.

Tanto a cobertura como as paredes são todas à prova de fogo, sendo o vapor e água fria, para fins de manufatura e outros usos, supridos ao andar superior. Em cima do poço do elevador estão instalados dois tanques para água, com capacidade para 50.000 litros cada um. Do alto da torre se descortina uma esplêndida vista da cidade e do porto. A eletricidade para a luz e força motriz é produzida na usina geradora, situada ao lado do edifício principal.

A cevada e o lúpulo são importados da Alemanha e a água usada passa, previamente, por uma filtração completa, depois de ser retirada do rio. Ao lado da cervejaria fica situada a fábrica de gelo, a primeira estabelecida em Manaus; o seu maquinismo é movido por um motor de 500 hp, ao qual fornece o vapor uma enorme caldeira, tipo Lancashire. A instalação é americana e tem capacidade para produzir 40 toneladas de gelo diariamente, o qual é entregue duas vezes por dia à freguesia espalhada por toda a cidade e vendido por um preço que o torna de consumo geral na cidade.
Trabalham nesta fábrica cerca de 20 homens, havendo também um caminhão com 30 hp e vários carros automóveis e outros de tração animal, para o serviço de distribuição.

Com o início da produção de cerveja e chope em barris, que faria fama entre os manauenses. A XPTO sobreviveu aos seus criadores, continuando a ser fabricada por mais de 50 anos. Ganharam o mundo, pois eram servidas nos navios que saiam de Manaus rumo à Europa. XPTO, que a primeira vista é uma sigla, na realidade é abreviatura do nome de Cristo em grego (Christós: X (qui), P (ró), T (tau) e O (omicron). O historiador Antonio Loureiro, descobriu que XPTO é uma gíria usada em Portugal desde o século 20 e falada até hoje e significa “OK, é o máximo”. A tampinha que fechava a garrafa tinha desenhado o mapa do Amazonas e seus rios, circundado pela inscrição Cervejaria Miranda Corrêa. O rótulo apresentava uma águia entrelaçada com o nome XPTO. Uma cópia de um anúncio visto na Times Square, em Nova York, por Antonino quando esteve lá.

Bolacha de chope - anos 50


A empresa subsistiu por mais de meio século, apesar do definhamento da economia amazonense. Serviu aos lares e aos bares por décadas, até ser atingida pelos concorrentes e pelo desenvolvimento da capital amazonense.

A expansão do comércio com a instalação da Zona Franca de Manaus, a partir de 1967, levou a fabricante da cerveja XPTO a mudar de proprietário.

Em 1970, a empresa J. Macedo, com sede em Fortaleza - CE, comprou o controle acionário da Cervejaria Miranda Corrêa.

Em 1972, a J. Macedo, através de convênio começou a fabricar a cerveja Brahma, e com novos e modernos equipamentos aumentaram a produção, a XPTO deixou de ser fabricada, talvez não vissem sentido em produzir duas marcas de cervejas ou mesmo a Brahma não permitisse que eles produzissem outra.

Durou pouco a presença dessa empresa. Logo depois, passou ao gerenciamento da Brahma, então de conceito nacional, que construiu uma nova fábrica no mesmo local, abandonando o castelo.

Com a fusão da Brahma e Antarctica, as instalações foram novamente comercializadas, passando a pertencer à cervejaria Kaiser.

3 comentários:

Anônimo disse...

Penso ser relevante que o nome dos técnicos alemães vindos da Bavaria no inicio do século, um dêles meu avô, quimico cervejeiro Wilhelm Held fossem mencionados, pois deram inicio e contribuiram para a cerveja no Brasil.

Cristina Figueiredo disse...

Olá, é verdade que ele quando veio para Manaus morou numa daquelas casas que ficam ao lado da cervejaria. Na rua Dr Aprígio?

claudio afonso disse...

Nem mencionaram o seu Lauro Corrêa.