sábado, 11 de junho de 2011

Carlo Fornaciari & Filhos / Cervejaria Rhenania / S/A Cervejaria Polar



Juliana Gouthier - Jornal Pampulha
Selena Duarte Lage e Lage


Belo Horizonte ainda não era nascida, era um arraial, mas já tinha a sua fábrica de cerveja e gasosa, foi assim que entre ruidosas e justas comemorações a cidade viu nascer, no dia 12 de dezembro de 1897, em ato público soleníssimo, presidido pelo Dr. Crispim Jacques Bias Fortes, a nova capital de Minas. Cidade recém-nascida que, após a inauguração, passou a se chamar oficialmente Cidade de Minas e que só viria a se chamar Belo Horizonte em 1901.

A fábrica de cerveja começou a funcionar um pouco antes, no mesmo ano da inauguração da nova capital, em 1897, o empreendimento foi uma iniciativa do italiano Carlo Fornaciari, da região da Toscana, que em 1894 mudou-se para o então Arraial de Curral del Rei (depois Arraial de Belo Horizonte), onde estava sendo construída a nova capital mineira.

Carlo Fornaciari junto com seus filhos Ulysses e Modesto, montaram a empresa Carlo Fornaciari & Filhos, Cervejaria Rhenânia, com produção de cerveja, chope e gelo, na região da Rua Sergipe com Timbiras.

"Contando com um capital inicial de 45:000$000,00 (quarenta e cinco contos de réis) esta marca viria a ficar logo conhecida pela excelência do produto. Os Fornaciari também passaram a produzir gelo", registra o livro "100 Anos da Indústria em Belo Horizonte", coordenado por Moema Moreira Gontijo. Mensalmente, eram produzidas cerca de 18 mil garrafas de diferentes tipos de cervejas: Rhenânia (pilsen e munchen); Hamonia (preta e branca) e Victória.
  

No início do século XX, a prefeitura concedeu um terreno para a construção da nova fábrica na Avenida Oiapoque (onde é atualmente o shopping Oiapoque) através da política de incentivo ao desenvolvimento industrial implementada pelo governo municipal, em 1902. A nova sede da indústria, uma "construção arrojada e monumental", foi equipada com "o que havia de mais moderno em maquinário e tecnologia".
As primeiras edificações do conjunto foram concluídas em 1910. O projeto é de 1908, de autoria do arquiteto italiano Luiz Olivieri, bastante atuante na recém criada Belo Horizonte daquela época.

Carlo Fornaciari logo instala a Cervejaria Rhenânia no novo prédio, deixando o sobrado da praça da Igreja da Boa Viagem na esquina da Rua Sergipe com a Rua Timbiras que abrigou, a primeira cervejaria de Minas Gerais, a Cervejaria Rhenânia, transformou-se em um armazém de secos e molhados. Em 1959 o então "Bar da Esquina" voltou a alimentar os boêmios e mais tarde ficou conhecido como "Clube da Esquina". o local é bastante agradável, ambiente claro, amplo. A decoração é simples, sem ornamentações, mas muito bonita. A casa passou por um período de decadência no final da década de 90. Foi quando o ator e músico Marcelo Galery fez um trabalho de recuperação de estrutura e arquitetura do sobrado e devolveu um ar de nostalgia à casa. O Clube da Esquina participou do Comida di Buteco 2002, concorrendo com a "Carne de panela Manoel Sapateiro". O bar já foi frequentado por famosos como Milton Nascimento, o ex prefeito Patrus Ananias e Murilo Rubião.

Ainda segundo o livro, "a Rhenânia entrou em operação em suas novas instalações, produzindo cerveja, chope e gelo". Naquela década, a empresa chegou a ser a quarta fábrica de cerveja do Brasil. Com o sucesso do empreendimento, Carlos Fornaciari, que já trabalhava com os filhos, contou também com a ajuda de parentes que vieram para o Brasil para se dedicarem à indústria de refrigerantes em Belo Horizonte. Como foi o caso do seu irmão, Giocondo Forniciari que associado aos filhos Alladino, Italo e Marino investiram na produção de refrigerantes, como o Guaraná União e as sodas Limonada, Delícia e Soberana.

A Rhenânia foi vendida em 1922, passando a funcionar no local a então recém-fundada Cervejaria Polar que por sua vez foi vendida em 1928 para a Companhia Antarctica que constituiu em 23 de abril desse ano a filial independente Companhia Antarctica Mineira.
  

Ao longo do tempo, o conjunto passou por diversas reformas e acréscimos, especialmente nas décadas de 1930 e 1940. Entretanto, seus edifícios ainda guardam a volumetria original e, presentes em sua maioria, as características do estilo eclético com ênfase para os referenciais da arquitetura neoclássica, sendo um dos poucos remanescentes da arquitetura para fins industriais do início do século XX.

Não foram encontradas informações sobre quando o conjunto de edificações da Indústria de Bebidas Antárctica ficou inutilizado. Em 2000, descobriu-se que o conjunto se encontrava em avançado processo de demolição, principalmente de suas partes internas, tendo sido retirada boa parte das coberturas dos prédios. Internamente o conjunto se encontrava praticamente em estado de ruína.

Como as demolições, de acordo com os pareceres técnicos, não foram suficientes para implicar na perda das principais características arquitetônicas do bem, em 2001 o CDPCM-BH deliberou o tombamento com diretrizes especiais de proteção e projeto (Deliberação Nº 004/2001). Em 2002, o imóvel foi arrematado em leilão pelo empresário Mário Valadares que, em parceria com a prefeitura de Belo Horizonte (através do projeto da prefeitura denominado Centro Vivo), foi criado o shopping popular que tem por objetivo organizar a economia informal movimentando os que trabalhavam nas ruas da região para o interior de um estabelecimento único, de modo a oferecer para a população maior segurança, manter limpa a área central e despoluir visualmente as ruas e avenidas do centro da cidade.

O Shopping Oiapoque iniciou suas atividades em 4 de agosto de 2003.

2 comentários:

MEMÓRIAS CAMINHADAS disse...

Gostei muito dessa história. Sou uma Fornaciari. Meu pai sempre me contou, que seu pai, um Fornaciari legitimo,nascido na Itália, tinha junto com sual família criado uma fábrica de cerveja em Minas. Quase não sabia nada a respeito. Foi bom saber um pouco mais.
Márcia Hortência

Délio Lima disse...

Belíssima história. Tenho certeza que existem centenas de histórias semelhantes sobre nossa Capital, mas que, infelizmente, não são divulgadas. Tantas coisas inúteis são ensinadas às nossas crianças no ensino fundamental e aquilo que realmente importa acaba caindo no esquecimento.
DLima.