sábado, 10 de agosto de 2013

Cervejaria Bela Vista / Fábrica de Bebidas Centenário / Ettore Zini & Irmão


Baseado no texto: Cervejarias de Rio Preto.

Carlo Magro, natural de Veneto, Itália, chegou ao Brasil em 1888, com 15 anos de idade, indo residir na pequena cidade paulista de Jaboticabal, em São Paulo. No decorrer dos anos, trabalhou muito na lavoura, casou-se com Narciza Mendes no dia 4 de setembro de 1897, com quem teve os filhos Maria, casada com Teodoro Sanchez; Luiza, com Ettore Zini; Antônio, com Rosa Sasso; José, com Adelaide e ainda Sebastiana, Rita e Ana, solteiras.

Em 1910, Carlo vindo em carro de bois, numa precária estrada, no meio da poeira, transferiu-se com a família para Rio Preto, município que a partir de 1944 passou a ser chamado São José do Rio Preto. Resolveu montar uma fábrica de cerveja, adquirindo máquinas, outros equipamentos e também um terreno à rua do Comércio (atual Coronel Spínola de Castro), próximo da rua Tiradentes, uma quadra acima do córrego Borá, no bairro Boa Vista, instalando-a, começou a fabricar a cerveja assim como refrigerantes naturais e licores. A cervejaria recebeu o nome de Bela Vista.

Apreciador de boas bebidas (vinho e cerveja), da comida italiana, dos queijos, presuntos e salames, tornou sua Cervejaria um ponto de encontro da cidade. Nela os imigrantes italianos e seus descendentes encontravam o local ideal para cantar suas músicas, beber Chianti e discutir idéias políticas. Não encontramos a data em que encerrou suas atividades. Segundo depoimento da Dra. Doris Scodeller Sanches, esposa de um dos netos de Carlo Magro, Dr. Irineu Sanchez, filho de Luiza Magro e Teodoro Sanchez: "Ele foi um homem forte. Enérgico e de grande coração. Não enriqueceu, mas viveu bem, assim como ele mesmo quis. Seu amor e carinho pela terra sempre foram evidentes. Plantava sempre uma horta na casa em que fosse morar.

Carlo Magro viria a falecer em 30 de julho de 1955, aos 82 anos.

A partir de 1922, a Cervejaria Bela Vista, de Rio Preto - SP, passa a pertencer a Domenico Zini e seu filho Ettore, casado com Luiza Magro filha de Carlo Magro, tendo sua firma alterada para Fábrica de Bebidas Centenário. Continuam a produzir cerveja, gasosas, licores, gelo e o difundido, por toda a região, Guaraná Centenário.

Fachada do prédio da Fábrica de Bebidas Centenário de Ettore Zini & Irmão, em 1927.

Diversas etapas do engarrafamento e embalagem manual das bebidas produzidas pela Centenário.

Proprietários, familiares e funcionários da Fábrica de Bebidas Centenário comemorando a chegada dos novos equipamentos de fabricação. Ao centro, o mais idoso é Domenico Zini.

Mais tarde, a empresa passou a ser dirigida por Ettore e seu irmão.

Fachada do prédio da Fábrica de Bebidas Ettore Zini & Irmão, já sem a palavra centenário.

Posteriormente, por volta de 1945 a indústria foi vendida à família Sinibaldi, tendo seu nome alterado para Produtos Centenário de Irmãos Sinibaldi.

No jornal "O Porvir", de 3 de abril de 1910, encontramos a nota transcrita abaixo, sobre duas fábricas de cerveja da cidade: "Cerveja Estrela e Bela Vista" "São dois magros, os senhores Frederico Bocchi e Carlos Magro, ambos "florentes etate" e cervejeiros ambos; são dois magros resolvidos a cevar a humanidade à força de cevada. E cevam. A cerveja engorda. E são dois cervejeiros de escoimado alento, os dois primorosos cervejeiros. Um, do outro lado, no bairro de Santo Antonio (Boa Vista), levantou a sua bem montada fábrica.

O outro, do lado de cá, à esquerda do Borá, no âmago da cidade, em um belo prédio, com uma vasta sala onde pode a gosto ser apreciada a suculenta e apreciada bebida, em gostosos chopes tem o seu estabelecimento, e sua tenda, onde vende e fabrica o dulçuroso líquido. São duas cervejas magníficas, as do senhor Carlos Magro e Frederico Bocchi, que não é gordo. São dois cervejeiros de mão delicada ao preparo da bebida saxônia os dois moços proprietários das cervejarias desta cidade. Uma delas, a do senhor. Carlos Magro, lembra pela cor, de um belo alaranjado, a afamada Boêmia, de um sabor tão fino. A outra, a do senhor Frederico Bocchi, de cor mais clara, de gosto ameníssimo, recorda a Rio Claro, que tanto agrada, sem amargo tão pronunciado.

Prossigam os tão caprichosos fabricantes da fabricação de seu gênero de indústria com o mesmo cuidado, com o bom comando escrúpulo com que estão oferecendo ao mercado que não terão mãos a medir no seu comércio. As duas cervejas, uma delas clara, mais escura a outra, aquela de mais suave sabor, mais carregada esta, satisfazem a todos os paladares. Ambas são feitas com esmerado asseio; vem em ótimo e limpo engarrafamento. Com superior arrolhamento; rótulos atraentes; bem preparadas ambas. Farão fortunas as duas fábricas, a Bela Vista e a Estrela.

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