sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Sociedade Anônima Companhia Paulista de Cervejas Vienenses / Brauerei Schwechat Aktienges Ellschaft


Imagens dos rótulos cedidas pelo colecionador Paulo Antunes Júnior

Em 23 de junho de 1951, reuniram-se em assembléia com o fim de constituírem definitivamente a Sociedade Anonima Companhia Paulista de Cervejas Vienenses e para apreciação e votação do laudo pericial de avaliação dos bens com que os fundadores: Brauerei Schwechat Aktienges Ellschaft, Friederich Weber e Wilhelm Karl Franz Menzl integrariam a sua subscrição de ações de constituição da sociedade anônima em organização. Tendo os presentes, de comum acordo, aceitado a avaliação dos bens que se encontram encaixotados em Linz, Danúbio e Aschach na Áustria, formando estes bens um maquinário completo e dos mais modernos para fabricação de cerveja no valor de Cr$23.425.000,00 (vinte e três milhões e quatrocentos e vinte cinco mil cruzeiros).

O capital da sociedade foi constituído por 30.000 ações no valor de Cr$1.000,00 cada uma, subscrito pelos seguintes sócios: Paulo Cochrane Suplicy, brasileiro, com 3.200 ações; Nelson e Wilson – Administração de Bens Ltda. sociedade comercial representada por seu diretor Nelson Mendes Caldeira, com 3.200 ações; Brauerei Schwechat Aktienges Ellschaft, representada por seu procurador George Mautner Von Markhof, austríaco, com 11.000 ações; Fritz (Friederich) Weber, austríaco, com 6.000 ações; Wilhelm Karl Franz Menzl, austríaco, com 6.425 ações; Thomas C. Simonsen, brasileiro, com 75 ações; Arnaldo D’Ávila Florence, brasileiro, com 100 ações, perfazendo, assim, o valor de Cr$30.000.000,00 (trinta milhões de cruzeiros).

Levaram dois anos entre 1951 e 1953 para a escolha e a implantação da cervejaria, o que conduziu os empresários a instalar a Companhia Paulista de Cervejas Vienenses em Agudos e não em outra cidade, foram os fatos dos austríacos fornecerem toda a tecnologia e a transferência do equipamento de uma cervejaria austríaca. Em contrapartida, demandavam a aquisição de terras que tivessem mananciais de águas com características que permitissem a fabricação de uma cerveja idêntica à que faziam na Áustria, a aquisição de áreas anexas onde pudesse ser construída uma vila residencial para os empregados e implantadas florestas de eucalipto em quantidade suficiente para abastecer, com lenha, as caldeiras da fábrica. Para encontrar esse local, os austríacos utilizaram um dos seus principais técnicos, o Dr. Fritz Weber, que realizou os levantamentos percorrendo várias regiões do Estado de São Paulo, o que o conduziu à cidade de Agudos. No tempo em que ficou em Agudos, o Dr. Weber visitou vários mananciais, em vários municípios da região, até se encantar com as águas do Rio Pelintra, cuja nascente e a totalidade do seu leito ficam em Agudos. Foram feitas muitas análises e cálculos que embasaram os argumentos do Dr. Weber e conduziram a diretoria da Vienenses a decidir pela instalação da cervejaria no interior do Estado e não na capital ou próximo dela como era o desejo de diretores e acionistas. As áreas foram então adquiridas, com a intermediação do prefeito Padre Aquino e do Sr. Celso Morato presidente da Câmara de Vereadores, viabilizando a implantação do projeto.

As máquinas e equipamentos chegaram, pelos vapores Oaasterland e Afaastland, durante o mês de outubro de 1951.

Em 28 de janeiro de 1952, através de assembleia geral extraordinária, eleva seu capital de Cr$30.000.000,00 (trinta milhões de cruzeiros) para Cr$80.000.000,00 (oitenta milhões de cruzeiros.

Em 20 de novembro de 1953, foi iniciada a venda do primeiro produto desta companhia, a cerveja Vienense.

Em 30 de janeiro de 1954, transfere sua sede social da capital para o Munício de Agudos, local de sua fábrica.

Relatório da diretoria publicado no Diário Oficial da União (DOU) em 09 de maio de 1954
“...Recebida com extraordinário sucesso em todo o estado de São Paulo, graças as suas excepcionais qualidades de cerveja leve, pura e genuína. Tal foi o seu êxito que a cervejaria vem encontrando dificuldades para atender ao volume de pedidos formulados.
Considerada a cervejaria mais moderna instalada no Brasil não foi possível conclui-la inteiramente durante o ano. Estão em fase final as instalações para a fabricação de refrigerantes, do gás carbônico e dos produtos derivados destinados a alimentação de gado. No primeiro semestre de 1954 tal produção deverá estar iniciada.
A elevação geral do custo de utilidades, as dificuldades inesperadas e supervenientes na edificação do parque industrial e a previsão de um desenvolvimento maior da fábrica dentro em breve fizeram com que os orçamentos iniciais fossem ultrapassados. Com a compra de 2000 alqueires para assegurar a posse das bacias dos rios: Pelintra, Bugre e Coxo indispensáveis para o abastecimento de agua, a construção de onze residências para técnicos, a estação de energia própria, o alto custo de construção resultante da especulação da praça sobre cimento, ferro e etc., o aumento dos estoques de matérias primas e vasilhames e sua majoração em face da nova politica cambial e outros. Fomos levados por tais razões a recorrer a financiamentos que nos foram concedidos prontamente pelo Banco do Brasil e importantes bancos de São Paulo...”

Em 31 de maio de 1954, através de assembleia geral extraordinária, eleva seu capital de Cr$80.000.000,00 (oitenta milhões de cruzeiros) para Cr$110.000.000,00 (cento e dez milhões de cruzeiros).

Em 9 de outubro de 1954 foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) a ata da assembleia geral ordinária da Companhia Cervejaria Brahma, acontecida em 23 de setembro de 1954, onde foi comunicado aos acionistas pelo senhor presidente da Companhia, Heinrich Künning, terem chegado, a bom termo os entendimentos entabolados, já há algum tempo, com plena aprovação do Conselho Fiscal, junto à Companhia Paulista de Cervejas Vienenses S. A., de Agudos, em virtude dos quais subscrevera parte do aumento do respectivo capital social a fim de participar de forma eficiente no desenvolvimento e progresso da referida empresa. A assembléia geral, inteirada de todas as minúcias das negociações, ratifica, plenamente, os atos da diretoria.

E ainda nesse ano, 1954, a Brahma assume o controle acionário da Companhia Paulista de Cervejas vienenses, de Agudos - SP.

Em 26 de maio de 1961, a Brahma inaugura sua nova filial em Agudos - SP, com a incorporação da antiga Companhia Paulista de Cerveja Vienenses.



Aqui deveria terminar nosso relato, mas como podem ficar curiosos a respeito da cervejaria que, através de sociedade, proporcionou a construção de uma das maiores e mais modernas cervejaria da época.

Ação da Schwechat Brauerei

A cervejaria Schwechat foi fundada em 1632 por Peter Descrolier, em Frauenfeld (campo das mulheres), Schwechat, Viena. A cervejaria Schwechat foi destruída várias vezes e mudou de proprietários muitas vezes.

Em 22 de Outubro 1796 Franz Anton Dreher, cervejeiro com residência na cidade de Viena, comprou a cervejaria.

O filho de Franz, Anton Dreher assumiu a cervejaria em 1837. Em 1839, ele a transformou para baixa fermentação, o que marcou o desenvolvimento da cerveja lager. Em 1841, ele percebeu que o resfriamento era decisivo para a cerveja de baixa fermentação, passando a colocar a cerveja em uma grande adega com gelo armazenado.

Em 1848, foi o primeiro fabricante de cerveja na Áustria a utilizar um motor a vapor, o motor a vapor está agora em exposição no Museu Técnico de Viena.

Posteriormente, o império da cervejaria Dreher foi se estendendo por meio de aquisições de cervejarias existentes por todo o Império Austro-Húngaro. Entre elas estavam a cervejaria Michelob, perto de Saaz, adquirida em 1859; a cervejaria Steinbruch (fundada em 1854), em Budapeste em 1862 e a cervejaria Trieste em 1869.

A primeira máquina de refrigeração, que também foi a segunda máquina da Linde AG, foi montada em 1877, na cervejaria em Trieste.

Anton Dreher faleceu em 1863, após sua morte quem liderou a cervejaria foi o advogado Caetano Felder, tutor do jovem Anton Dreher Jr. até a sua maioridade em 1870. Caetano Felder depois foi prefeito de Viena.

Em 1905 a cervejaria foi transformada na sociedade anônima cervejarias Anton Dreher.

A cerveja "Schwechater Lager" fez com que a cervejaria se tornasse famosa. No início do século XX era a "cervejarias Dreher" a maior empresa de cerveja do mundo. Em 1913, a Anton Dreher Brauerei AG (Cervejaria Anton Dreher S/A) fundiu-se com a cervejaria St. Marx Adolf Ignaz Mautner de Markhofgasse e com a cervejaria Simmering, a fusão das três cervejarias criou a United Breweries Schwechat.

Após a morte de Anton Dreher Jr., em 1921, o único herdeiro era o neto de oito anos de idade, Oskar Dreher e por disposição testamentária, o filho mais velho de Anton Dreher, Eugene Anton Dreher (nascido em 1871), foi eleito Presidente da United Breweries. Pouco tempo depois, em 1925, morreu Eugen Anton Dreher, a gestão da empresa passou a ser feita por um parente de Anton, Eugene Turner, que imediatamente vendeu a totalidade das ações da cervejaria a um consórcio de bancos, fazendo com que se tornasse o maior acionista da Companhia e Richard Schoeller seu vice-presidente.

Em 25 Fevereiro de 1926, em Abbazia, ocorreu a morte de Oskar Dreher, aos doze anos de idade.

A partir de 1927 e 1928 novas fusões e aquisições de cervejarias foram feitas tais como as aquisições da cervejaria Hütteldorfer, a cervejaria Jedlesee e a cervejaria Waidhofen.

. Em 1935, a família Mautner Markhof adquiriu as quotas do último herdeiro da família Dreher e passou a deter a maioria das ações da empresa. Um ano depois, a United Breweries fundiu-se com a cervejaria St. George.

Devido à escassez de matérias primas, durante a Segunda Guerra Mundial, pouca cerveja lager foi produzida. No entanto, no último ano da guerra, em 1945, a cervejaria Schwechat foi em grande parte destruída. Pela primeira vez em 1 Setembro sob a direção de Manfred Mautner Markhof sen. (1903-1981) começou a reconstrução da cervejaria.

Em 1949, seu filho Manfred "MMM" Mautner Markhof Jr (1927-2008) passou a fazer parte da Cervejaria Schwechat e foi nomeado para o Conselho em 1957.

Em 1950, a cervejaria Schwechat adquire a Cervejaria Nossdorf, desmantela as instalações de produção e empacota para serem enviadas para o Brasil.

Ação de 1940 da Nußdorf Brauerei

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