segunda-feira, 13 de março de 2017

Fábrica de Cerveja A. Groschke & Cia / S.A. Cia Cervejaria Pernambucana


Texto baseado em diversos jornais da época


Albert Raymund Walther Groschke nasceu em 26 de agosto de 1877, em Stettin, na Pomerania, Prússia, Alemanha, filho de Albert Friedrich Christian Groschke e Auguste Friederike Anna Frisch e foi educado em Swinemünde.

Em 1901 entrou para a casa Neesen & Cia, firma de comércio de algodão fundada por Victor Neese, cônsul alemão em Pernambuco. Em 1906, passou a exercer interinamente as funções de cônsul por motivo de afastamento de Victor Neesen e foi efetivado no cargo com sua morte, em 1909, com isto, a casa Neesen & Cia, passou a pertencer a vários sócios, dos quais o principal era Albert Groschke que em 1º de janeiro de 1912 se tornou proprietário único.

Em 25 de maio de 1913, o periódico O Diário de Pernambuco publica a petição de Albert Groschke solicitando à Câmara dos Deputados favores para uma fábrica de cerveja de baixa fermentação que pretende fundar no Estado.

A construção da fábrica teve início em 15 de agosto de 1913, sob a direção do Sr. Franz Banner, na Rua Aurora nº 129, Recife, numa área de 200m de comprimento por 45m de largura, está instalada a rigor de conformidade com as prescrições legais para a montagem dos maquinismos destinados ao fabrico da cerveja. O assentamento das máquinas e demais maquinismos foi executado pelo mecânico Sr. Armando Schlenck e a planta é do arquiteto Sr. Eduardo Fonseca. Todo o edifício foi construído em concreto e cimento armado com teto de zinco sobre vergas de ferro batido.

O corpo central da fábrica se compõe de 3 pavimentos: no andar térreo é ocupado pela casa das máquinas, com um poderoso motor de força de 100 cavalos, marca Machinenfabrik Augsburg Nurenberg, um compressor de amoníaco, sistema Linde 1913 e um dínamo para iluminação elétrica de toda a fábrica. A força geradora é produzida por duas caldeiras, sistema Cornwall, com uma superfície calorífica de 140 meros quadrados cuja alimentação é feita por 2 injetores e 1 bomba a vapor. O processo utilizado para a fabricação é o de caldeira a vapor com capacidade de 20.000 litros, todos os aparelhos são os mais modernos tendo capacidade para produzir 30.000 garrafas diárias.

No 2º pavimento vê-se um grande resfriador para cerveja e um moinho para triturar a cevada, a qual é conduzida por um elevador automático que lhe despeja 1.500kg por hora.

No 3º pavimento foram colocados diversos tanques de água podendo acumular 25.000 litros e um grande depósito para cerveja com a mesma capacidade da caldeira de fabricação. Junto à sala de fabricação acham-se os frigoríficos com 30 grandes tanques-deposito cabendo ao todo 345.000 litros, acima destes está a sala de fermentação com 6 grandes cubas de madeira.

O grande armazém para enchimento, capsulagem e todo o preparo de expedição foi construído isoladamente, paralelo ao corpo da fábrica com janelas para a Rua do Lima, aí são observados um grande filtro modelo Enzinger e os aparelhos próprios para encher os barris de chopp e as garrafas pelo sistema isobarometrico com capacidade de 2.000 garrafas por hora.

A sua direção na parte referente ao fabrico de cerveja acha-se confiada ao sr. Rudolph wahl cervejeiro diplomado pelo governo da Baviera com 15 anos de fabricação de cerveja em diferentes estados do Brasil e outros países sulamericanos.

A Secretaria da Junta Comercial do Recife faz público que de 11 a 14 do mês findo (outubro) foi arquivado o contrato social entre Alberto Groschke e um comanditário para o fabrico de cerveja à Rua Aurora nº 129, desta cidade, com o capital de Rs 200:000$000, sendo Rs 170:000$000 em comandita, sob a firma A. Groschke & Cia.

Em 25 de abril de 1914 é inaugurada a fábrica A. Groschke & Cia – Cervejaria Pernambucana.

O periódico O Diário de Pernambuco de 11 de agosto de 1914, publica que na sessão da Junta Comercial do Recife de 23 de julho é deferido o requerimento para o arquivamento do contrato social da firma A. Groschke & Cia – Fábrica de Cerveja Pernambucana.

Ainda, nesse ano de 1914, lança a cerveja pilsen Pernambucana.

O periódico O Diário de Pernambuco de 9 de março de 1915, publica que na sessão de 18 de fevereiro, da Junta comercial do Recife, registra a marca Bahiana para a cerveja de sua fabricação. Nesse ano a produção atingiu 1.800.000 garrafas no valor de Rs 720:000$000.

Em 19 junho de 1915 os jornais de Recife publicam um concurso de capsulas da Cerveja Pernambucana onde os que apresentarem o maior número de capsulas (encarnada), em sua fábrica até o dia 15 de julho, receberão de prêmio, até ao quinto lugar: 10, 6, 4, 3, 2 caixas de cerveja com 48 garrafas.

Em 4 de maio de 1916 torna a promover o concurso, desta vez para os 8 maiores números de capsulas apresentadas na fábrica, até 22 de junho e com prêmios em dinheiro que vão de Rs 150$000 a Rs 10$000.

Em 18 de maio de 1916 foi feita a primeira assembleia de constituição da Sociedade Anônima Companhia Cervejaria Pernambucana onde foi eleita a diretoria: como presidente o Dr. Manoel Gonçalves da Silva; como tesoureiro Pinto Alves & Cia e como secretário o Coronel José Pessoa de Queiroz.

Na sessão de 13 de julho de 1916, da Junta Comercial do Recife, foi feito o requerimento da Companhia Cervejaria Pernambucana para o arquivamento de seu contrato social.

Em 22 de novembro de 1916, foi transferido à Sociedade Anônima Companhia Cervejaria Pernambucana o favorecimento, pela lei 1209 de 20 de abril de 1914, de dez anos de isenção de impostos estaduais que devem terminar em fevereiro de 1925.

Em dezembro de 1917 lança o Guaraná CCP e a bebida sem álcool Cacique.

Em 1918, a Cervejaria Pernambucana produzia as seguintes bebidas: Cerveja clara Pilsen, cervejas escuras Porter (amarga) e Patrícia (doce); Gazosas de limão, laranja, maçã, cidra, framboesa e morango; Guaraná CCP; Ginger Ale; Cacique.

Em 1919, lança a cerveja Pilsen Especial
Em 4 de novembro de 1920 lança a marca de cerveja Centenário, nesta época trabalham na Cervejaria 250 operários e a produção anual é de 2.600.000 garrafas de cerveja, 1.000.000 de garrafas de gazosas e 500.000 garrafas de aguardente.

Em 28 de janeiro de 1923 O Diário Oficial da União publica que na sessão de 8 de janeiro de 1923 da Junta Comercial do Recife, foi registrada a marca Cerveja Maltada.

O Periódico Jornal Pequeno de 22 de fevereiro de 1924, publica que na sessão de 18 de fevereiro, da Junta comercial do Recife, foi registrada a marca Sultana para a cerveja de sua fabricação.

Em outubro de 1924, durante a Exposição Geral de Pernambuco, lança a cerveja Az de Ouros.

Em 1926 teve decretada a sua falência, tendo sido levado a leilão em 23 de abril, 11 de maio e 26 de maio, não havendo comprador.

Em 24 de março de 1928, foi publicado no periódico Jornal de Recife um anuncio informando que a Companhia Antarctica Paulista comprou a Cervejaria Pernambucana. Instala o escritório em abril e organiza a Companhia Antarctica Pernambucana com o capital de Rs 1.000:000$000, inaugurando-a em setembro de 1930.

Em 8 de novembro de 1932, às 9:30 hs o industrial Alberto Groschke falece repentinamente, no consultório do dentista Augusto Klutsenichell. O industrial contava 54 anos de idade, era casado com a Sra. Annita Lundgren Groschke e não deixou filhos.

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